dizer que alguma coisa é ‘verdade’ é dizer também que alguma coisa é falso. como diria ele, do alto dos seus muitos anos: é falso!
é falso tudo o que eu vivi até ontem na universidade brasileira. é verdadeiro tudo o que vivo desde ontem na universidade brasileira.
verdadeiro é também subjetivo. sim, elementar meu caro watson. verdade é também parcial, subjetiva, de parte, herética e anacrônica. não necessita ser verdade pra mais ninguém. basta que eu vá dormir hoje achando que a minha esquina achou um clube. que nesse clube tudo acontece como eu um dia sonhei que poderia ser. na verdade, como meu pai me contava que era: que as pessoas faziam pesquisas sérias, que a academia era um ambiente revolucionário e respirável, em que se dialoga de fato, em que idéias se contrapõem, em que a ciência de base vai se acumulando para que cada einstein possa, dalí, revolucionar o mundo.
tudo o que ele me dizia hoje aconteceu. acontece desde ontem. com um acréscimo que ele não te me dito que era possível. inesperado por mim e inesperado em si e em qualquer lugar do planeta terra em que eu já ouvi falar de universidade e de pensamento acadêmico: pela primeira vez vi grande pensadores, grandes professores da academia brasileira exercitando deixar de lado seu ego e suas leituras para formar uma nova geração. sem nenhum autoritarismo, mas com toda a autoridade, vi roberto schwarz, o grande crítico e homem de pensamento brasileiro, dar a vez da fala (sem achar que fazia um grande feito) e dizer como tinha chegado às suas teorias (sem nunca dizer que só ele poderia tê-lo feito) com a maior generosidade, calma, benevolência a amorisidade que já vi na vida.
tudo parece ter encontrado seu devido lugar dentro de mim.
e esse lugar, como sempre sonhei que fosse, não é confortável ou erudito: é o lugar desconfortável e extremamente inseguro de quem, pela primeira vez, falou pra uma platéia qualificada, foi criticada duramente, conseguiu se defender honrosamente e recebeu elogios de que nunca mais vai se esquecer (ou melhor, espera esquecer no dia em que alcançar a grandeza do mestre que não ouve o elogio, apenas se concentra em quem o está fazendo).
‘gosto de pensar que um dia vou escrever como você’. a piada interna que só o ouvido atento, amoroso, generoso e amigo poderia ter concebido.
cheguei. pode parar o trem da história que já sei onde quero descer.