aqui posso dizer: sei não, sei não a academia.
a não ser quando penso que quinta-feira não tenho aula porque meu querido professor (nenhuma ironia) foi dar uma palestra por são luis e resolveu ir aos lençóis maranhenses. desbunde. só disso a vida pode ser feita.
de que vale o relatório que estou escrevendo?
trecho carta de um escritor que adoro, Cesare Pavese, para seu chefe e dono da maior editora da itália:
” A Giulio Einaudi, Turim
Turim, 14 de abril de 1942
Respeitável Editor,
Tendo recebido n. 6 cigarros Roma – de que lhe agradeço- e tendo-os achado péssimos, estou obrigado a lhe responder que não posso manter um contrato iniciado assim sob tão maus auspícios. Acontece também que os sempre renovados encargos de revisão e outras bobagens que vocês me empurram, não me deixam o tempo de atender a mais nobres trabalhos. Sim, Senhor Diretor, chegou a hora de dizer-lhe, com todo o respeito, que enquanto continuar com esse sistema de aproveitamento integral dos seus dependentes, o senhor não poderá esperar deles um rendimento superior às suas possibilidades.
Há uma vida a se viver, há bicicletas a se subir, calçadas a se passear, pores-do-sol a se gozar. A Natura, por fim, nos chama, caro Editor. e nós seguimos seu chamado.
Faça o esperto com outro.
Cordialmente,
C. Pavese”
Nota: a carta era uma brincadeira em resposta a uma carta do editor, mas muito, muito boa!