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L’epilogo
Carmen Consoli

Certamente mi accorgo che è svanito un incantesimo
e abbiamo deposto le ali
tra gli abiti e i trucchi di scena
Certamente saprai cadere in piedi e con abilità
con fascino e stile superbo
avrai calcolato anche questo

La dolce evasione e il rientro
la porta di casa la luce ed il gas
le solite foto sul frigo
e il pensiero di essere altrove

Mi sto allontanando da te
e scherzi a parte é l’ultima romantica rinuncia
Mi sto allontanando da te
dai piccoli e incantevoli
frammenti di dolcezza
Mi accorgo che
mi sto allontanando da te

Certamente mi accorgo che è svanito un incantesimo
e abbiamo affrontato con nochalance
il breve (e) inevitabile epilogo

La dolce evasione e il rientro
la porta di casa la luce ed il gas
le solite foto sul frigo
e il pensiero di essere altrove

Mi sto allontanando da te
e scherzi a parte é l’ultima romantica rinuncia
Mi sto allontanando da te
dai piccoli e incantevoli frammenti di dolcezza
Mi accorgo che
mi sto allontanando da te
e scherzi a parte é l’ultima romantica rassegnazione ……
Mi sto allontanando da te ……

os dois estados da alma que me interessa perseguir são em respouso: o amor e o estado de morte.

amor não é paixão, é a exata sensação que percorre um corpo depois de gozar. silêncio e silêncio. imobilidade. repouso.

estado de morte não é luto. é quando o luto começa a ser incorporado, in corpo ado, e ele nunca termina. mas ele é esquecido. me interessa perseguir aquele estado de in corpo r ação ativa, consciente, composto por leves movimentos fisicos aleatórios, uma desatenção como necessidade de sobrevivência e o estado de morte latente.

o homem fica mais humano em repouso. o dia fica mais dia e o presente se impoe urgente, no repouso.

não é meditação nem ioga, não é aceitação nem sublimação. é nada. é a geografia amorosa do repouso.

só quem ama e goza sabe de que amor estou falando, só quem ama e perde sabe do estado de morte de que estou falando.

e de que pretendo falar aqui, com narrador e personagens, na empreitada, mais uma vez explícita e on line, de tentar escrever um texto maior sobre. um livro. que tantas vezes já tentei, que inúmeras vezes já pensei, que já desisti, e que me dá falta de ar, mas que mais cedo ou mais tarde eu vou ter que vomitar.

o título me veio como osbessão e há dias volta toda manhã. saído de uma poesia da patrizia cavalli, a quem voltei esses dias, para voltar àqueles meses que seguiram setembro de 2006 de sobrevivência no que até outro dia chamaria desespero, hoje entendi que eu vivia apenas na geografia amorosa do repouso.

‘sempre tem gente pra chamar de nós

sejam milhares, centenas ou dois’

marcelo jeneci

Istituto Italiano di Cultura com participação do Moreno Veloso

Solar de Botafogo

há alguns sentimentos que, volta e meia, me alcançam: claros, conscientes, sempre mais maduros e em cada recorrência têm aspectos menos sombrios – o que os torna ainda mais perigosos. sei exatamente do que eles estão falando.

falam de uma dificuldade não minha, geracional. falam de uma paixão minha. mais do que dos outros por mim. falam de uma voltagem, a maior possível, que tantas vezes, por pura preguiça, faço de conta que não sei que corre dentro de mim. falam de uma vida, que escolho conscientemente que seja como é – e consigo viver exatamente a vida que escolho -, mas que nas horas em que aqueles familiares sentimentos afloram, eu sinto, com a verdade de quem parece se entender toda num piscar de olhos, que a vida podia ser totalmente diferente.

isso assusta.

mas meu astrólogo já disse que era assim mesmo. que eu ia viver a vida toda nessa dúvida: se a vida eu quero assim ou assado. e eu ia decidir. e assim ia ser.

estranho né? que eu tenha entendido do que ele falava, que em dias como hoje, quando tudo volta a ser assado tendo sido cozido nos últimos cinco dias, eu lembre exatamente que: eu escolhi, que é o deveria ser escolhido e que, por enquanto, o 220 v deve ser gentilmente transformado em 110 v.

‘o tempo que você quer não existe no mundo’

ando achando que viver em 110 v significa que eu entendi tudo isso, o momento, o tempo, o crescimento e quando, repentinamente sinto um grito dentro de mim que clama por mais voltagem e acho que quero viver em 220 v é porque retrocedi no meu crescimento, na minha compreensão, no meu tempo.

será que é tudo uma grande desculpa? e a vida vai passar?

(vi um show dele, Jeneci, em que contava que se sentia bem quando uma música dele virava de mais alguém. virou minha. ele é especial, musicalmente. me foi apresentado por um querido que é amigo do baixista dele. nos últimos tempos, jeneci tem significado a sensação musical de que são paulo deve significar mesmo pra minha geração uma coisa mais profunda e afetuosa do que o rio de janeiro, tão acessível e superficial, mas isso é outro post, que escrevo na páscoa. assunto que tem me perseguido, desde que volta da temporada na itália. por enquanto segue o vídeo da lindeza)

Onde é que eu fui parar
Aonde é esse aqui
Não dá mais pra voltar
Porque eu fiquei tão longe, tão longe
Onde é esse lugar
Aonde está você
Não pega celular
E a terra está tão longe, tão longe
Não passa um carro sequer
Todo comércio fechou
Não tem satélite algum
Transmitindo notícias
De onde eu estou
Nem um e-mail chegou
Nem o correio virá
E eu entre quatro paredes
Sem porta ou janela
Pro tempo passar
Dizem que a vida é assim
Cinco sentidos em mim
Dentro de um corpo fechado
Num vácuo de um quarto
No espaço sem fim
Aonde está você
Por que é que você foi
Não quero te esquecer
Mas já fiquei tão longe, tão longe
Não dá mais pra voltar
Eu nem me despedi
Onde é que eu vim parar
Porque fiquei tão longe, tão longe
Longe, longe, longe…

narrativa de um dia nada extraordinário, cheio de grandes surpresas e amores confirmados…

Menina amanhã de manhã
Quando a gente acordar quero te dizer
Que a felicidade vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens

Na hora ninguém escapa
Debaixo da cama, ninguém se esconde
A felicidade vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens

Menina, ela mete medo
Menina ela fecha a roda
Menina não tem saída
De cima, de banda ou de lado

Menina olhe pra frente
Menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segure o jogo, atenção de manhã

Menina a felicidade
É cheia de praça, é cheia de traça
É cheia de lata, é cheia de graça

Menina a felicidade
É cheia de pano, é cheia de peno
É cheia de sino, é cheia de sono

Menina a felicidade
É cheia de ano, é cheia de eno
É cheia de hino, é cheia de ono

Menina a felicidade
É cheia de an, é cheia de en
É cheia de in, é cheia de on

Menina a felicidade
É cheia de a, é cheia de é
É cheia de i, é cheia de ó

É cheia de a, é cheia de é
É cheia de i, é cheia de ó

Piano e arranjo: Benjamin Taubkin
Acordeon e arranjo: Toninho Ferragutti
Flautas e Sax barítono: Teco Cardoso
Violão e cavaquinho: Webster Santos
Baixo acústico: Rodolfo Stroeter
Percussão: Ari Colares

1. há uma concepção mafiosa, que rege todo e qualquer gesto ou ato. e que perpassa toda a minha vida, por consequencia, pelo fato de me relacionar com eles, e, de certo modo, me sentir um pouco parte deles, e compreender perfeitamente como funcionam, mas tudo isso visto por um olhar mais bem dotado afetivamente, mais generoso, menos mesquinho e principalmente, menos mafioso.

2. qual a diferença entre mafia e nepotismo? exatamente e precisamente não sei. mas se tivesse que teorizar, diria que mafia é aquela que transforma em família aqueles que interessam, corrompe as instituições burocráticas com interesses criminosos e manda matar quem desobedece. nepotismo, tipico de um povo mais primitivo como o brasileiro, é querer para a sua verdadeira família um emprego em que ela ganhe bem e não faça nada durante todo o dia. é colocar como seu assessor o próprio filho, é fazer passar no concurso o sobrinho, é pagar com dinheiro público a viagem da esposa para fazer compras em nova iorque. não envolve penalização. o nepotismo é quando consegue ser. quando não consegue não pune.  qual dos dois é pior? os dois são péssimos, mas brasileiros são nepotistas, italianos são mafiosos.

3. italiano são racistas e xenofóbicos. ah, claro, são invadidos pelos povos da áfrica pobre, têm seus empregos roubados pelos imigrantes, ok. mas não estou falando disso. há um racismo e uma xenofobia profunda, mais perigosa, que diz respeito ao fato de que, se voc~e não é italiano, de sangue e de solo, não pode opinar. sintomático de um país obtuso, uma cultura decadente e um povo mesquinho.

4. italianos fora da italia e principalmente italianos no brasil são piores. são mais mafiosos, são mais xenofóbicos, são mais racistas, são mais mediocres, são mais mesquinhos, são mais vulgares, são mais vingativos, são mais asqueirosos.

5. italianos não sabem escrever. o excesso de frases subordinadas atrapalha o raciocínio. minha tese é de que as provas orais ao longo de toda a formação de um cidadão italiano – pois na italia são raros e pouco validos as provas escitas – faz com que ele aprenda a arte de falar uma hora sem dizer nada. e num pacto de mediocridade os professores fingem que o jeito pomposo de dizer resolve o que tem de ser dito e os alunos fingem que teceram uma grande tese, tudo isso sem dizer nada. e assim eles vão. numa antecipação cultural do que gênero da escrita acadêmica exercita lindamente: falar, falar, enganar deus e o mundo, e não dizer nada. se pagar de grande intelectual no final, tanto melhor.

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