que o ser humano é muito maluco, todo mundo já sabe, quer dizer eu já sei.
mas às vezes tudo parece tomar seu lugar e eu até choro, achando que nem sei direito porque, na minha pobre vida, apesar de tantas tristezas, às vezes tudo parece fazer sentido e às vezes estou tão afetivamente reconfortada e bem acompanhada nessa travessia de mundo tão dolorida e ao mesmo tempo tão mágica.
epifanias têm ocorrido e tenho me visto pedindo benção ao destino por me dar a chance de gostar tanto de tudo o que faço da vida. tudo. todas as escolhas que fiz, todas, todas as pessoas que escolhi ter perto, todas. todos os anos que já passaram, todos.
aquela límpida sensação de que eu não sou por nada, em nenhum momento, saudosista: não queria estar vivendo nada do que já vivi. não queria voltar à infancia, não queria ser – de jeito nenhuuum – adolescente, não queria voltar aos anos de faculdade. não, está bom aqui. cada minuto que passa eu vivo um minuto melhor. eu tenho mais consciência e clareza de tudo (o possivel) e vivo cada dia com menos ansiedade.
(não fosse claro pela dor de não ter mais ao meu lado meu companheiro de viagem. mas também aprendi que isso é da trajetória dele, que interfere na minha. mas não troco a certeza do que ele representa pra mim hoje por nenhuma briga boba de adolescente que não sabe o quanto a vida pode doer).
mas como todo ser humano maluco, há a crise: e hoje é dia assim, dia em que uma simples frustração consigo mesmo por um simples puxao de orelha correto do chefe, parece desmoronar tudo. aquela alegria desmedida do dia anterior. aquela segurança do caminho traçado, aquela dor guardada em gaveta apaziguada. aquela caminhada de mãos dadas, aquele conforto para errar em paz.
aí eu fico assim. trancada em mim mesma, em silêncio.
e ter uma persona para cada meio de divulgação e partilha de si mesmo (leia-se twitter/facebook/blog/email/convivio pessoal/convivio profissional/amigos/familia/marido), nessas horas, não ajuda, é tudo uma grande esquizofrenia sobre “e o que dizer agora?”).
E bate aquela vontade desesperada de pedir demissão de si mesmo e se aposentar aos 35. Pronto. Chega. Já que é pra ficar comendo merda e vomitando caviar. Inventando que a gente manda super bem e tá super feliz, muito mais do que manda ou tá. foda-se. prefiriria ir pra praia pegar um sol, caso desse tempo e não tivesse frio.
na verdade, fernanda, santa fernanda, tem razão: fale de graça o tempo que quiser com alguém indo até a casa dela.
tudo isso, meus caros, pelo direito sacrossanto de ter feriado.
sei lá, o mundo anda mesmo estranho. e em dias assim, a vontade que dá é puxar a cordinha e pedir pra parar no proximo ponto, que eu quero descer.
(leitores que adoram fazer comentários sem noção e sem se identificar, por favor, me economizem hoje. do jeito que estou o proximo passo é suicídio de todos esses meios – esse blog incluido!).